quarta-feira, 1 de setembro de 2010

saudade-matéria

quase sempre falamos em saudade sem termos propriedade de tal palavra.
certa vez tentaram me explicar a diferença entre sentir saudade de alguém e sentir falta, eu pensei ter entendido, mas não... coisa impossível de ser entendida, é coisa de ser vivida mesmo.
é que hoje, diante de mais uma madrugada atordoada pelos fusos horário e muscular cardíaco, eu me deparei com esse emaranhado de sentimentos tentando encontrar o seu lugar. e percebi que esse era o meu momento de entender tudo isso: agora.
acho que sentir falta é sentir leve, pensar, lembrar e sentir palpável o que te falta...
mas a saudade não! saudade é pesada!
(deve ser feita daquela leveza insustentável que Kundera me apresentou)
é como se necessitasse se transformar naquilo que não está presente, é sentimento que nasce com a intenção de tomar o lugar da pessoa que deveria estar ali, tapar o buraco... mas já nasce com a imperfeição de saber-se incapaz de fazer o que a princípio se propõe...
acho que é daí que nasce a lágrima.
mas não qualquer lágrima!
a lágrima filha da saudade, aquela que acaricia a face, escorre pelo pescoço e pelo colo, e busca o peito, numa última e desesperada tentativa de fazer o que a saudade não consegue...
bem, eu acho...

tua mão percorrendo meu rosto e fim.

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